Escrito por Fabinhu às 00h00
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Quem tem medo do Orkut?

Meu irmão disse que agora bloquearam o Orkut na universidade. Há muito tempo que venho pensando no porquê dos empregadores e os educadores se preocuparem tanto com o que as pessoas devem ou não visitar na internet. Lembro que quando eu estudava a vítima foi o Chat Terra, como se não existissem outros chats para os estudantes acharem.
No governo Olívio Dutra se criou junto aos Sines o acesso gratuito à internet visando a inclusão digital aqui no Estado. O novo governo, do Rigotto, achou que estavam visitando "porcarias" e resolveu cortar o barato.
É que pobre não tem direito a ter computador em casa, muito menos a visitar o que bem entender de graça. Essa é a visão. Pq só rico pode ter entretenimento? Eu me pergunto... É um privilégio de quem tem um computador em casa? Acho que é, mas não deveria ser. No momento em que o governo disponibilizou computadores com acesso gratuito à internet poderia, sim, priorizar utilização deles para a pesquisa mas não proibir a diversão. Poderia limitar os minutos utilizados por cada usuário, sei lá... Há tantas formas d resolver isso......
Voltando à universidade e aos empregos... eles têm a mesma visão: o que dá prazer corta-se! Funcionário não pode respirar, descansar, relaxar, descontrair. Quanto aos professores, certamente é porque o Orkut é bem mais interessante que suas aulas.
No meu trabalho tenho acesso irrestrito a qualquer site. Nunca isso me atrapalhou, ao contrário, o Orkut por exemplo tem sido uma válvula de escape nos momentos de maior tensão. Eu sei que tenho que trabalhar, sei que se não fizer o que tenho que fazer pior para mim, pois sairei mais tarde. Os patrões que bloqueiam o Orkut, em primeiro lugar tratam seus funcionários como crianças levadas, em segundo lugar esquecem que eles podem encontrar refúgio em outros sites como Netqi, Mell e tantos outros similares que já surgiram mundo afora. Também esquecem, universidades e empresas, que o Orkut embora seja fonte de muita bobagem, também é lugar para trocar experiências e até pesquisar determinados temas, dependendo da comunidade na qual se está.
Fora isso, como diz o sociólogo italiano Domenico DeMasi, o trabalho deve ser um lugar prazeroso. Cortar estas pequenas "fugas" dos funcionários e dos estudantes é querê-los mais aborrecidos e menos motivados. E é um desrespeito pois é como dizer: "vcs não sabem o que fazem e como utilizam o tempo e eu, poderoso patrão ou reitor, tenho que controlá-los".
Escrito por Fabinhu às 10h44
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